
Tomb Raider, o filme, assim como Tomb Raider, o game, não resolve a questão fundamental para os fãs de Lara Croft: poder controlar a heroína com um joystick pessoal que a deixasse à mercê dos desejos confessáveis e inconfessáveis do seu manipulador. E agora que a virtual ganhou carne e osso de Angelina Jolie no cinema (muito mais carne do que osso, claro) é muito maior a urgência por esse recurso da tecnologia aplicada à líbido.
Assim como há um Sean Connery para James Bond, um Harrison Ford para Indiana Jones, Angelina Jolie é Lara Croft (para quem não sabe, uma curiosidade: a fuçadora de túmulos se chamou antes Lara Cruise).
Se Angelina tem seios menores que os de Lara (mesmo com um retoque mamário digital), seus lábios carnudos e generosos dão de dez a zero nos da aventureira. Mas é só um detalhe: melhor que comparar, ja dizia aquele guru em cima de um pico no Himalaia, é ficar com as duas.
A primeira, Lara Croft, é a mais famosa heroína de games que há. Criada em 1995 pelos irmãos, ingleses e programadores de computador, Adrian e Jeremy Heath-Smith, ela nasceu numa conversa dos dois, achando uma chatice os heróis de games. "Eram sempre a mesma coisa", contou Adrian numa entrevista.
"Toda vez que pensávamos num personagem masculino, virava aquele tipo de coisa Schwarzenegger ou Stallone, que não queríamos."
E surgiu Lara, da ponta de seu rabo-de-cavalo ao cano de suas inseparáveis pistolas, uma garota obviamente perigosa, curvilínea, uma guerrilheira sedutora de camiseta azul e shorts curtinhos cáqui, sonho adolescente por excelência. Uma dominatrix de roupa colada à pele, sem, digamos, pés grandes (na verdade, usa tênis 36). Ainda por cima, aristocrata de velha cepa britânica, versada em história antiga, arqueóloga dedicada a descobrir coisas mágicas enterradas em túmulos cercados por maldições e criaturas monstruosas. Os meninos e homens são atraídos por Lara pelas aventuras de ação contínua e surpreendente e, obviamente, pelo fato de uma garota tão sexy estar no meio dessa ação toda.
Já as garotas e mulheres gostam também de Lara. Ela é uma figura muito feminina e, ao mesmo tempo, faz coisas que dispensam os heróis (aliás, ela dispensa na maior os personagens masculinos apaixonados por ela). É um novo tipo de heroína que tem raízes na tenente Ripley de Alien, um tipo de mulher que independe do que os homens façam. O contrário, por exemplo, de uma Ginger Rogers, que fazia tudo o que Fred Astaire fazia, só que de salto alto, e ficava em segundo plano.
Rato na cama
Angelina Jolie, a Lara Croft do filme, assim como seu personagem, é impossível de ficar em segundo plano. Além de belíssima, é boa atriz e estranhíssima na vida real. Ou interessante, conforme o ponto de vista.
Ela tem um rato de estimação chamado Harry, presente do marido Billy Joe Thornton. Às vezes Harry dorme com o casal. No quarto, há ainda tendas para os filhos de Billy quando eles visitam o pai. E, se você tiver curiosidade de olhar, uma faca embaixo do travesseiro.
No corpo de Angelina, há várias tatuagens, a maior delas é uma cruz grande e negra que começa abaixo da cintura e quase chega lá. Ao lado, em letras góticas, a frase em latim "o que me nutre, me destrói".
O pai de Angelina, o ator Jon Voight, saiu de casa quando ela tinha 1 ano.
Ela ficou com a mãe e o irmão, Jamie. Aos 14, teve um namorado sério, a ponto de viver com ele algum tempo na casa materna. Foi um relacionamento ruim e agressivo, ela lembra, envolvendo até flagelação com facas. A escola foi sendo feita aos trancos e barrancos e Angelina, coerente, queria ser diretora de uma agência funerária.
Estreou no cinema aos 5 anos, estudou arte dramática no Instituto Lee Strasberg a partir dos 13. Foi modelo e apareceu em videoclipes. Tinha cabelos compridos e nenhuma tatuagem. Aos 17, fez um filme chamado Cyborg 2 e vomitou na primeira vez em que o viu inteiro.
No quarto filme, Hackers, conheceu o ator Jonny Lee Miller e namorou com ele. Em 1998, fez Gia, o telefilme que a tornou uma estrela em ascensão.
Interpretou de modo inesquecível a modelo Gia Carangi, drogada, aidética e com tendências suicidas.
Depois, Angelina quis desistir: "Parece que dei tudo que podia e não posso imaginar que haja mais alguma coisa dentro de mim", disse, na época.
No meio de uma depressão brava, ela ganhou o Globo de Ouro por seu papel no telefilme Wallace. Logo, estava fazendo o filme que lhe deu o Oscar de melhor coadjuvante, Garota, Interrompida, em que ela roubou quase todas as cenas da talentosa Winona Ryder. Outra vez, uma personagem autodestrutiva e maluquete.
Roubou, como Lara faz nos túmulos, Billy Joe Thornton dos braços de Laura Dern e foi morar com ele (Laura, depois, disse que ele combinava mesmo melhor com Angelina).
E lá foi La Jolie viver Lara. Teve de parar de fumar e beber. Disse que aprendeu muito com Lara: "Se ela tem um problema, vai lá e dá um jeito. Se está frustrada, quebra alguma coisa, Assim é que a vida deve ser."




















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