sexta-feira, 6 de julho de 2001

Você também irá torcer por Lara Croft


Falar mal de Tomb Raider é fácil. O filme não tem lógica aparente, os personagens são quase sempre unidimensionais e viver uma heroína tirada de um videogame pouco exigiria de uma atriz, mesmo que não fosse uma premiada com Oscar no ano passado.

Mas o filme merece muito mais do que isso. Tomb Raider é uma aventura que deixa o espectador empolgado na maior parte do tempo, tem sua lógica interna que é a da fantasia e Angelina Jolie parece ter esperado a vida inteira para ser Lara Croft, a garota veneno dos games.

Para qualquer gamemaníaco, fará sentido a idéia de que um artefato místico-misterioso pode controlar o tempo e está sendo procurado por uma seita antiquíssima chamada de os Iluminati (vagamente maçônico-religiosa). O artefato está numa antiga cidade que há muito tempo se ergueu no que hoje é uma cratera de meteoro e deve ser acionado junto com algo chamado O Olho que Tudo Vê, exatamente no instante em que houver um alinhamento planetário que só ocorre a cada 5 mil anos.

Entenderam? Não importa. Pois o que interessa é ver a heroína Lara Croft sair do virtual e ganhar vida via Angelina Jolie. Ela luta com um robô mortal tão insistente quanto o japonês Kato dos filmes da Pantera Cor de Rosa. Lara tem seu castelo, seu mordomo, seu hacker pessoal e um pai morto e nunca esquecido. Basta como caracterização, ao lado de seus dois revólveres presos nas coxas e habilidade de lutar com armas e artes marciais.

A ação vai por Veneza, lugares gelados e selvagens, enquanto Lara vence todos os obstáculos -- de forma absolutamente convincente. Você vai ao cinema e torce por ela. O que mais pode se quer de uma aventura?

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