segunda-feira, 6 de agosto de 2001

Banderas e Jolie juntos no caliente 'Pecado Original'

Na festa de pré-estréia de Pecado Original, o filme que co-estrela com Antonio Banderas, quando lhe perguntaram sobre o charme do astro espanhol, Angelina Jolie foi rápida: "Ele é casado com uma mulher linda. Eu preferiria dormir com ela do que ter um caso com ele". Isso dá uma medida do teor caliente do filme, que estreou sexta-feira nos EUA e deve ser lançado aqui em setembro.

A idéia geral do filme da MGM, certamente, deve ter sido a reunião de dois dos maiores símbolos sexuais do cinema atual. E nos 115 minutos não faltam cenas de sexo, que um crítico disse beirarem o pornográfico. Para não ficar só na cama, o roteiro buscou um velho (de 1947) clássico do romance policial, Waltz into Darkness, de Cornell Woolrich, que já foi filmado em 1969 por François Truffaut, com dois símbolos sexuais de então, Jean-Paul Belmondo e Chaterine Deneuve. O filme se chamou A Sereia do Mississippi.

Desta vez, o roteiro não ficou a cargo de um expert e apreciador do policial como Truffaut; quem se encarregou foi o também diretor Michael Christofer, cuja maior credencial até hoje é o telefilme Gia, baseado na história real da top model Gia Carangi, que morreu de aids aos 26 anos. E que, incidentalmente, revelou o talento de Angelina Jolie.

Assim, a historia que Truffaut explorou bem, com indisfarçável humor, no seu filme, chegou, segundo disseram jornalistas presentes na pré-estréia, a causar risos em momentos errados, como quando o personagem de Banderas diz:

"Acabei de matar um homem" e o de Angelina responde: "Acabei de comprar um chapéu". Ou quando um detetive beija Antonio Banderas na boca.

Na história, o ator espanhol é Luis Antonio Vargas, um plantador de fumo cubano do século XIX, que não quer uma mulher que se case com ele por interesse. Ele consegue uma esposa pelo correio, que vem a ser a americana Julia Russell, que não quer um marido que só se interesse por ela por causa de sua beleza. Ou, pelo menos, é o que ela diz no começo. Julia chega a Havana e Luis a aceita como noiva. Os dois se casam (a cena do casamento foi descrita como "suntuosa") e Vargas é um cavalheiro que permite que Julia o conheça melhor antes de consumar a união. Quando a hora chega, Julia mostra um entusiasmo que fascina o cubano. Mesmo que ela diga uma frase que é fatal nesse tipo de história: "Não se deve confiar em nenhum de nós".

Na verdade, isso é meia verdade, pois Vargas é um sujeito quase inocente, que não tem nada a esconder, enquanto Julia, sobre quem ele não sabe nada, recusa-se a responder as cartas de sua irmã. Julia parece feliz, mas há uma aura de tristeza e mistério em torno dela. Obviamente, aparece alguém do passado de Julia, para complicar a história. Ainda mais porque o alguém é um detetive (Thomas Jane). O desmancha-prazeres conta a Vargas que ela talvez seja uma impostora que matou a verdadeira noiva na viagem de barco até Cuba.

As primeiras críticas do filme destacaram mais as cenas de sexo (com uma profusão de clichês orgásmicos, até as mãos crispadas apertando travesseiros) do que a interpretação dos astros. Angelina, que está devendo um filme em que mostre seu talento dramático após o Oscar de Garota, Interrompida, foi acusada de mais posar que atuar. Porém, o visual do filme foi elogiado, sobretudo os figurinos.

Parece pouco, pois as histórias de Cornell Woolrich (1906-1968), quando adaptadas ao cinema quase sempre renderam filmes de intensidade dramática e muito suspense. Truffaut, além de A Sereia do Mississippi, fez o ótimo A Noiva Estava de Preto, em 1967. Alfred Hitchcock tirou de um livro de Woolrich (que usava o pseudônimo William Irish) nada menos que Janela Indiscreta.

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